CABEÇA TORTA DO BEBÊ / SAIBA O QUE FAZER – Portal Vila Mulher

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Foto: Steve Nagy/Design Pics/Corbis

 

Deixar o bebê muito tempo na mesma posição pode fazer com que ele fique com a cabeça torta. Essa assimetria (cabeça achatada de um lado e “pontuda” do outro) é chamada de plagiocefalia posicional.

O termo vem do grego “cabeça oblíqua”, tentando traduzir o que vemos quando olhamos de cima a cabeça do bebê: temos a impressão de que o eixo central da cabeça está desviado. “É preciso dar atenção ao fato, pois essa assimetria costuma ser mais difícil de ser corrigida se a criança tiver mais de um ano e três meses de vida”, revela Dr. Gerd Schreen, fundador da Cranial Care.

O especialista trouxe o tratamento para o Brasil depois que sua segunda filha apresentou a assimetria.

Esse problema é mais comum do que se imagina. Um estudo americano aponta que cerca de 12% dos bebês apresentam alguma deformidade na cabeça.

As causas da assimetria são diversas: posicionamento intrauterino ou vício de posição (bebê colocado sempre do mesmo jeito para dormir, amamentar, nas cadeirinhas de veículos, bebê conforto ou carrinhos). Felizmente, em casa mesmo, os pais podem fazer evitar a plagiocefalia posicional. As dicas são alternar a posição de apoio da cabeça do bebê e, quando acordado e sob supervisão de um adulto, deixar o bebê alguns períodos de barriga para baixo. O uso de cangurus e slings também ajuda a evitar que o problema se perpetue.

Se a assimetria já existe os pais devem apoiar a cabeça do bebê do lado “pontudo” por meio da mudança na posição do berço, colocação de estímulos sonoros e visuais desse lado e até o uso de alguns “calços” para posicionar o bebê. Se até o quinto mês de vida o problema não for solucionado, ou em casos mais severos, após a avaliação de um especialista pode ser indicado o uso de órteses cranianas, uma espécie de capacete para corrigir o formato da cabeça do bebê.

O prazo para reverter a situação é curto, porque a cabeça do bebê cresce muito rápido nos primeiros meses de vida e vai desacelerando até que, por volta dos dois anos de vida, praticamente não cresce mais. Sem contar que as suturas cranianas (moleira) se fecham entre o primeiro e o segundo ano de vida. “Se formos tomar como exemplo o tratamento com órtese subentende-se que é preciso haver crescimento para haver correção. Assim, quanto menor o crescimento e quanto mais rígida a cabeça do bebê, mais difícil fica regredir a assimetria”, explica Dr. Gerd.

 

A duração do tratamento varia de acordo com a idade do bebê e o grau de assimetria craniana. Mas, geralmente, em três ou quatro meses o problema é corrigido. O acompanhamento médico é feito quinzenalmente, para que sejam feitos pequenos ajustes na órtese.

Quando a assimetria não é corrigida a tempo, a pessoa carregará o problema pelo resto da vida. O médico revela que recebe em sua clínica jovens e adultos que contam que sofreram bullying ou que usam o cabelo um pouco mais cheio para disfarçar, mas evitam molhá-lo em público por medo. “Funcionalmente, o desalinhamento craniano pode causar transtornos visuais, auditivos e, principalmente, de oclusão dentária, mastigação e dor na ATM”, enumera Dr. Gerd.

Juliana Falcão (MBPress)